'Compra de votos no atacado'
Logo no primeiro dia do ano eleitoral já tem profecia na imprensa corporativa de que Lula fará "gastança" para "compra de votos no atacado".

Nesta onda de calor e de jornalista acusando ministro do Supremo de advocacia administrativa e tráfico de influência com base no que jorra de um circuito secreto das águas — seis fontes anônimas —, agora, logo nas primeiras horas do ano eleitoral, outra jornalista tarimbada joga ao vento a profecia, feita com base nas varetas do I Ching, de que o presidente da República incorrerá em compra de votos para tentar se reeleger.
Em artigo publicado no Estadão no Dia da Fraternidade Universal, Eliane Cantanhêde afirma que a aposta de Lula para a eleição presidencial que se avizinha é a “gastança” para a “compra de votos no atacado”. A afirmação é feita com todas as letras, mas sem qualquer dado, elemento concreto ou furo de reportagem que lhe dê sustentação. Não há sequer fontes que falam em off para pôr seus interesses particulares no modo on, como aparentemente é o caso no “caso” Malu-Master-Moraes.
Tudo o que Eliane Cantanhêde cita para justificar a afirmação é, incrivelmente, que “Lula gosta de gastar” e, de resto, o veto assinado por Lula nesta quinta-feira a um reajuste de R$ 160 milhões para o Fundo Partidário. Como isso poderia se encaixar, tipo, em “compra de votos do atacado”?
É que Lula “fez o melhor para ele: agradar à sociedade”, diz olimpicamente, em seu primeiro artigo do ano, a jornalista que 15 anos atrás, às portas de outra eleição presidencial, descreveu daquele jeitinho célebre, citando fonte anônima — “um velho assessor” —, o partido famoso pelas medidas impopulares: “o partido das massas cheirosas”.
Já um presidente da República tomando logo do primeiro dia do ano uma decisão bem vista pela população, e sem “gastança”, mas sim, ao contrário, preservando recursos públicos, isto, pelo visto, não cheira muito bem.


