Donald, Ratón Miguelito e o nome do Pateta na Dinamarca
Depois da Venezuela, a Groenlândia volta à mira, “alguma coisa terá que ser feita com o México” e uma invasão da Colômbia "soa bem".
Richard Johnson tem um blog sobre o “inferno de loucura e delírio que é a mente de Donald Trump” e no dia 5 de fevereiro do ano passado, um dia depois de Trump dizer no Salão Oval que os EUA iriam “assumir o controle” da faixa de Gaza, Johnson publicou um artigo satírico, à moda Sensacionalista, no qual Trump aparecia declarando:
“Essas coisas estão ali, esperando para serem usadas por alguém como eu, que tem inteligência, coragem e conhecimento. Poderíamos transformar toda aquela coisa subterrânea em uma atração como a montanha-russa dos Sete Anões na Disneylândia. Ou talvez pudesse ser usado como metrô. É só pensar fora da caixa.”
“As crianças podem até encontrar o Mickey, a Minnie”.
Intitulado “Trump anuncia plano de parceria com a Disney em Gaza”, o artigo satírico de Richard Johnson fui publicado com um subtítulo lancinante: “Pode parecer uma piada agora…” — uma piada sobre a Bacia do Levante, onde há 1,4 trilhão de metros cúbicos de gás à espera do Mickey Mouse e da Chevron, da Minnie Mouse da ExxonMobil.
Dias depois, porém, ainda em fevereiro, Trump compartilhou em suas redes sociais um vídeo de IA no qual Gaza aparecia como resort, com direito a uma estátua gigante do próprio Donald em uma avenida ladeada por tamareiras e um hotel chamado “Trump Gaza”. Oito meses mais tarde, em outubro do ano passado, a mídia estadunidense de linha MAGA divulgava análises de think tanks estadunidenses de linha MAGA classificando o plano dos EUA para Gaza de “estratégia Disneylândia”.
“Você pega qualquer parte do problema e elimina tudo o que é ruim: Hamas, túneis, armas, tudo. Então você permite a entrada de civis e constrói algo novo: mercados, prédios, escolas, eletricidade. Chamamos de Disneylândia para dar a ideia de esperança, de futuro”, disse à Fox News, na época, o diretor do Urban Warfare Institute, John Spencer, que nos últimos dias alternou nas redes sociais manifestações de louvor ao ataque dos EUA à Venezuela, em nome da “justiça”, e postagens de infográficos sobre a Venezuela ter 303 bilhões de barris de petróleo.
Na época, entre setembro e outubro do ano passado, o Comando Sul dos EUA começava a explodir barcos, a matar pessoas no mar do Caribe e patetas da mídia brasileira garantiam ser “irrealista” uma invasão da Venezuela por Trump. São os mesmos que em agosto tinham chamado de “ocupação” o sequestro do plenário da Câmara por deputados bolsonaristas e que agora chamam de “captura” o sequestro de Nicolás Maduro pelos EUA.
Nas últimas horas, enquanto o “Departamento de Guerra” estadunidense divulgava fotos de Maduro conduzido por agentes da DEA em Nova York, algemado e com orelhas de Mickey Mouse, a esposa do chefe de gabinete da Casa Branca postou uma imagem do mapa da Groenlândia coberto com a bandeira dos EUA, em vez da do Reino da Dinamarca, e o Donald que não tem nada de pato afirmou que “alguma coisa terá que ser feita com o México” e que a ideia de uma invasão da Colômbia, também da Colômbia, não parece piada, não, ao contrário: “soa bem”.
Na Colômbia e no México, Mickey Mouse atende por Ratón Miguelito e, na Dinamarca, o nome do Pateta é Fedtmule.



