Expectativa sobre os generais golpistas: perda de patentes. Realidade: consultores das Forças Armadas
Para quem ainda tinha dúvidas, nas Forças Armadas do Brasil segue em voga o mais escancarado, ostensivo, patente, quase expresso golpismo.

Os oficiais generais das Forças Armadas Paulo Sergio Nogueira de Oliveira e Mário Fernandes, do Exército, e Almir Garnier Santos, da Marinha, foram condenados a respectivamente a 19, 26 e 24 anos de prisão por pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, etc.
Simplesmente como se estas graves condenações não tivessem acontecido, o Exército e a Marinha do Brasil bolaram “planos de trabalho” para seus custodiados Paulo Sergio, Fernandes e Garnier que não são “apenas” tapas na cara da Justiça do Brasil — e do Brasil —, mas também atestados irrefutáveis, para quem ainda tinha dúvidas, de que nas Forças Armadas do país segue em voga o mais escancarado, ostensivo, patente, quase expresso golpismo.
Ministro da Defesa de Jair Bolsonaro durante a trama golpista, o general Paulo Sergio serviu à conspiração coordenando o assédio das Forças Armadas ao TSE, os ataques dos militares à credibilidade do sistema brasileiro de votação eletrônica, além de apresentar aos comandantes das Forças minutas de atentado à democracia. Agora, em sua “cela” no Comando Militar do Planalto, irá fazer a “revisão doutrinária do Exército Brasileiro”, “ler e sugerir a atualização de livros e manuais da Força”.
Autor do plano “Punhal Verde e Amarelo”, de assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes no âmbito da trama golpista, o general Mário Fernandes fará, agora, em sua “cela” no Comando Militar do Planalto, “revisão de produtos doutrinários e literários” e “produção de textos técnicos sobre história militar, estrutura da Força, doutrina militar terrestre” para a Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército e para o Centro de Doutrina do Exército.
Ex-comandante da Marinha, Almir Garnier foi condenado, entre outras, por promoter a Bolsonaro mobilização de tropas para a intentona bolsogolpista. Agora, Garnier vai trabalhar na Estação Rádio da Marinha, em Brasília, na avaliação de sistemas de comando e controle, processos decisórios, simulações operacionais e estudos relacionados a projetos estratégicos da Força Naval, como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul e programas de avaliação operacional de meios navais.
Dos cinco oficiais generais das Três Forças condenados na ações penais da trama golpista, apenas os generais Augusto Heleno, em prisão domiciliar por motivo de Alzheimer, e o general Braga Netto, que açulou a matilha bolsogolpista contra quem hoje manda no Exército, apenas os generais Augusto Heleno e Braga Netto, dizíamos, ainda não viraram consultores das próprias Forças Armadas para fim de remição das suas penas.
No início de dezembro, Come Ananás dizia que Bolsonaro, Heleno, Braga Netto, Paulo Sergio e Garnier tinham encontros marcados com o Superior Tribunal Militar em 2026 — para a perda de patentes após condenação superior a dois anos de prisão, conforme previsto na Constituição —, e o STM com a democracia.
O tempo passa, e na última quinta-feira, 15, a propósito dos planos de trabalho do Exército para os generais golpistas Paulo Sergio e Mário Fernandes no cárcere, Come Ananás dizia que, nessa toada, não demora e condenados por violência doméstica vão sugerir atualizações da Lei Maria da Penha e em breve autores de homicídio qualificado vão produzir material sobre o Espírito das Leis e fazer a revisão doutrinária das bases do Pacto Social.


