“Ainda estamos aqui”. Estas foram as últimas palavras do discurso de posse Hugo Motta na presidência da Câmara dos Deputados, no dia 1º de fevereiro deste ano. Mas a referência feita por Motta ao filme “Ainda estou aqui” não foi o que você pode estar pensando.
Três dias depois, em uma entrevista à TV, Hugo Motta foi perguntado por um jornalista se a referência ao filme “foi uma referência firme do senhor contra qualquer tentativa de aliados seus, porque o bolsonarismo é seu aliado, de tentar novamente uma ditadura”.
Resposta de Motta:
“Todo e qualquer tipo de ditadura terá de nós uma reação forte. Não só a ditadura militar, mas também a instituição de decisões que não respeitem o Legislativo. Então, toda e qualquer ditadura terá reação do presidente da Câmara para que nossas prerrogativas não sejam tiradas. A história do ex-deputado Rubens Paiva ela deve ser sempre lembrada. Ele foi uma vítima desse momento difícil que o Brasil viveu e nós fizemos questão de registrar no nosso discurso para dizer que o Poder Legislativo está de pé e Câmara estará sempre pronta para reagir a toda e qualquer interferência que vier a acontecer.”
“Mas então foi mais um recado para o Supremo do que uma mensagem para o país de que ditadura nunca mais?”, assustou-se o jornalista.
“Se foi entendido como recado para alguém, é porque alguém está se doendo”, respondeu Hugo Motta, esparramando, empertigado, tudo aquilo que fez dele o “candidato de consenso” à presidência da Câmara no início do ano: o desprezo por valores, a incivilidade, o oportunismo, a fraqueza de caráter, o desdém pela democracia.
O texto-base do chamado “PL da Dosimetria”, que reduz quase a pó as penas de Jair Bolsonaro e do generais que tentaram outro golpe no Brasil, foi declarado aprovado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, precisamente às 2h25 da madrugada desta quarta-feira, 10, Dia Internacional dos Direitos Humanos. Quase na mesma hora, às 2h55 do dia 2 de abril de 1964, o então presidente do Congresso Nacional, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República mesmo com João Goulart em território nacional, consolidando o golpe de Estado.



