No último sábado, 3, dia em que os EUA sequestraram Nicolás Maduro em Caracas e a imprensa brasileira informou que “governo da Venezuela declara emergência contra ‘agressão imperialista’” — com agressão imperialista entre aspas —, chamamos a atenção para que imperialismo é termo banido, há tempos, do léxico do oligopólio global das agências de notícias e dos oligopólios nacionais da mídia corporativa, a exemplo de expressões como luta de classes, divisão internacional do trabalho, partilha e repartilha do mundo.
A exemplo de “fascismo” e “fascista” também, estes termos e expressões só aparecem assim, entre aspas, ou seja, na boca de terceiros, ainda que sejam os mais apropriados para informar à vera sobre o Brasil e o mundo e por mais que imperialismo seja até agora, nos primeiros dias de 2026, nada menos que a palavra do ano (menos como referência ao processo de acumulação do capital monopolista em escala mundial e mais como sinônimo de exploração, opressão e agressão das potências capitalistas, como os EUA, aos países mais fracos, como a Venezuela).
Nada mais ilustrativo deste cancelamento pela mídia corporativa justamente das palavras, termos e expressões que melhor dão conta da Grande Marcha Para Trás em que o Brasil e o mundo se meteram; nada mais ilustrativo, dizíamos, do que o vídeo que circula nas redes sociais no qual Mariliz Pereira Jorge dá, diante de Pedro Dória e Malu Gaspar e nas palavras de Luiz Carlos Azenha, a seguinte “contribuição impagável do jornalismo brasileiro à análise da conjuntura internacional”:
“Ah, gente, eu não sei vocês, mas eu acho tão cafona essa coisa de imperialismo.”
No que Malu Gaspar solta uma gargalhada e assina embaixo:
“Eu também.”
Vale um alerta: o vídeo não é de agora. É do dia 6 de agosto de 2024, quando Dória, Mariliz e Gaspar trocaram figurinhas ao longo de uma hora sobre o “sumiço das atas” das eleições de 28 de julho daquele ano na Venezuela, em episódio intitulado “E agora, Venezuela?” do podcast Mesa do Meio. O trecho referido está no minuto 29:40 do vídeo.
Mas agora, com Maduro sequestrado pela Delta Force, com Donald Trump afirmando que pretende governar de Mar-a-Lago a “Pequena Veneza” caribenha e já marcando reuniões com a Exxon, a Chevron e a ConocoPhillips, convinha saber o que têm a dizer os especialistas em vida elegante.



