Notas sobre big business e outras espécies de máfia
A imprensa aponta conexões da Reag Investimentos com o "mundo do futebol", mas os vínculos do alvo mais graúdo da operação Carbono Oculto — os até agora conhecidos — vão além dos futebolísticos.
A Reag Investimentos é a maior gestora independente do Brasil, com mais de R$ 340 bilhões em fundos sob sua regência. A Reag é também a primeira empresa de Wealth Management (“gestão de patrimônio” e “planejamento tributário” para super-ricos) listada na B3. Tudo muito bem, mas de repente a Reag virou símbolo do consórcio entre a Faria Lima e o Primeiro Comando da Capital, após ser o alvo mais graúdo da Operação Carbono Oculto.
Agora, “o mercado teme” que as investigações da Polícia Federal exponham os nomes de super-ricos e instituições financeiras que recorreram aos serviços da listada na B3, muito bem, mas listada também pela PF como uma das gestoras ligadas a lavagem de dinheiro para o PCC.
E por que temem? Porque, como vem ressaltando nas últimas horas o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, o esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio na Faria Lima não serve apenas a uma organização criminosa em particular.
Voltando ao alvo mais notório da operação Carbono Oculto: em esforço (embora tímido) para mostrar os vínculos da Reag Investimentos para além da ligação com o PCC apontada pela PF, a imprensa brasileira registra que o fundador e dono da empresa, João Carlos Mansur, tem conexões com o “mundo do futebol”, principalmente com a Sociedade Esportiva Palmeiras, clube, aliás, profundamente enredado com o grande capital paulista.
Mas os vínculos da Reag — os até agora conhecidos — vão além dos futebolísticos. Na verdade, todos amavam e achavam muito cheirosa e nada viram de estranho na gestora que, meteórica, dobrou de tamanho em apenas dois anos, até que, de repente — tcharam! —, apareceu junta e misturada com a máfia de São Paulo que não cheira exatamente a Erba Pura de Xerjoff.
Exemplo: a Reag Investimentos é quem patrocina o podcast de economia Além das Manchetes, do “canal de jornalismo independente” MyNews. O podcast é apresentado pelas jornalistas Mara Luquet, ex-GloboNews e ex-editora do caderno Folha Invest, da Folha de S.Paulo; e Denise Campos de Toledo, ganhadora do Prêmio Esso de Jornalismo em 1987. Um terceiro apresentador do podcast é Marcelo Fonseca, economista-chefe da Reag.
Um dos mais recentes episódios do Além das Manchetes, veiculado no último 15 de agosto, foi sobre “como o crime organizado no Brasil evoluiu de ações violentas pontuais para um sistema sofisticado de infiltração econômica, política e social”.
Outra: em julho, a Reag Investimentos foi a principal patrocinadora do XXV Encontro Brasileiro de Finanças, “principal evento acadêmico de finanças do Brasil”, organizado pela Sociedade Brasileira de Finanças (SBFin) e pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), indefectível think tank do neoliberalismo.
O encontro aconteceu na sede do Insper, na Vila Olímpia, em São Paulo. A Reag foi a patrocinadora “diamante” do evento, acima da Stone, FGV, Capes e Fapesp (Ouro) e da B3, Fipe, CNPq e dos também gestores de investimentos Opportunity e Bradesco Asset (Prata).
A coisa teve até um “mini-course on cryptofinance”.
Mas, no XXV Encontro Brasileiro de Finanças da Reag/Insper, as “keynotes lectures” (palestras principais) foram dadas por insignes docentes da London School of Economics, Columbia Business School e Gies College of Business, da Universidade de Illinois. Em Londres, Nova York ou no Illinois, “terra de Abraham Lincoln”, os picas of finances não correm risco de serem mandados pelos ares em explosões por gasolina adulterada com metanol do PCC.
Antes, em março, aconteceu no Riocentro, no Rio de Janeiro, o Joga Junto 2025, evento de “integração” dos funcionários da Reag que contou com nomes como o ator Dan Stulbach, o humorista Marcelo Adnet, o ex-jogador de vôlei Tande e o ex-diretor do Banco Central e colunista do Estadão Alexandre Schwartsman. Todos, nas palavras da Reag, “inspiraram e motivaram nossa equipe”.
No dia 30 de março, a Reag postou imagens do Joga Junto 2025 em sua conta no Instagram, fazendo o seguinte prognóstico, a gestora até anteontem craque do jogo da multiplicação de capital, mas que ontem virou alvo da PF porque, suspeita-se, joga junto com o PCC:
“O jogo continua e 2025 promete uma temporada ainda mais emocionante”.