Que GPS é esse?
Condenado por tentativa de golpe de Estado, general será agora, no duro — é sério? —, encarregado da “revisão doutrinária” do Exército? Vai sugerir “atualização de livros e manuais da Força”?

O general de quatro estrelas Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, sugestivamente conhecido na “família militar” como GPS, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 19 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e deterioração de patrimônio tombado.
Há uma semana, no último dia de 2025, o ministro Alexandre de Moraes autorizou GPS a trabalhar e estudar em sua “cela” — uma sala de Estado-Maior do Comando Militar do Planalto —, o que será usado para diminuição da pena.
E para quem e fazendo exatamente o que o ex-ministro da Defesa de Jair Bolsonaro, ex-ministro de Bolsonaro de Ataque às Urnas Eletrônicas, irá trabalhar em sua “cela”/escritório em dependência militar? Segundo apuração da jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil, GPS irá trabalhar para… o Exército Brasileiro, “fazendo a revisão doutrinária do Exército Brasileiro”; “o general deve ler e sugerir a atualização de livros e manuais da Força”.
GPS foi condenado na Ação Penal 2668, a do chamado “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado em 2022 e início de 2023, com o 8/1. Publicada pela CNN Brasil no Réveillon, a informação sobre para quem e fazendo exatamente o que o general GPS irá trabalhar para fim de remição da pena passou algo batida.
Nesta quarta-feira, 7, véspera do terceiro aniversário do 8/1, convém perguntar: condenado pela Justiça brasileira por ter sido figura crucial na trama golpista, o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira vai agora, no duro — é sério? —, ser encarregado da “revisão doutrinária” do Exército de Caxias? Vai sugerir “atualização de livros e manuais da Força” além de tudo em conjuntura de ataque MAGA à América do Sul?
Que várzea é essa? “Que show da Xuxa é esse?”
Com a palavra o comandante do Exército Brasileiro, Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, e o ministro da Defesa do Brasil, o civil de quatro estrelas José Múcio “Milicos” Monteiro. Que respondam à pergunta algo crucial: que GPS é esse?
Parece que o presidente Lula terá que vetar outra coisa neste 8 de janeiro de 2026, além do “PL da Dosimetria”.


