Secretos, escondidos: documentos do Exército sobre os acusados de matar Rubens Paiva ainda estão assim
Exército diz que não quer negar dados sobre os militares acusados de matar Rubens Paiva, assim como Bolsonaro tampouco tentou tumultuar, anos atrás, uma inspeção no local onde o ex-deputado foi morto.

Há cerca de um ano, no auge do sucesso de público e crítica do filme Ainda estou aqui, que aborda o caso Rubens Paiva, a ótima plataforma Fiquem Sabendo solicitou ao Exército Brasileiro acesso às fichas funcionais dos agentes da ditadura acusados de torturar e assassinar o ex-deputado em 1971. Para surpresa de zero pessoa, o Exército negou o pedido.
O caso foi parar na Controladoria-Geral da União e, em julho do ano passado, a CGU, em decisão histórica, deu 30 dias para o Exército disponibilizar a papelada. Para surpresa de zero ser vivente, o Exército pediu revisão da decisão. A CGU manteve a decisão. O Exército, então, na virada do ano, bateu na porta da Advocacia-Geral da União para manter os documentos escondidos do povo brasileiro e eles ainda estão assim, até hoje, mais de meio século após o crime contra a humanidade. E assim seguirão, secretos, escondidos, enquanto a Câmara de Mediação e Conciliação da AGU não arquivar a chicana da caserna, o que, segundo a Folha de S.Paulo, deve acontecer em breve.
O Exército garante que não quer manter nada debaixo do Tapete Guararapes, peça (esta bem à vista) de seis por doze metros do acervo do Quartel-General da Força, em Brasília. O Exército afirma, afirmou à Folha, que quer apenas estabelecer as condições, os detalhes de um “eventual” fornecimento de dados sensíveis, de “informações pessoais de militares” e com “potencial impacto sobre a hierarquia e a disciplina”…
Treze anos atrás, em fevereiro de 2013, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) confirmou, com novos documentos (entregues nunca, jamais pelo Exército, mas pela família de um coronel reformado assassinado em 2012), o que já se suspeitava fortemente: Rubens Paiva foi torturado e morto nas dependências do DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro.
Meses depois, em setembro daquele ano, senadores da Subcomissão Permanente da Memória, Verdade e Justiça e membros da CNV estiveram na Rua Barão de Mesquita 425, na Tijuca, instalação militar onde funcionou o DOI do I Exército, para realizarem uma inspeção após o Comando Militar do Leste impedir membros da Comissão da Verdade do Rio de acessarem o local.
Para surpresa de zero criatura que caminha sobre a Terra, o então deputado Jair Bolsonaro apareceu no local no dia e na hora da inspeção, para tumultuar a visita, chegando a agredir o senador Randolfe Rodrigues, então membro da subcomissão da Verdade, Memória e Justiça e autor do requerimento para a diligência. Depois, Bolsonaro disse que não queria tumultuar nada, que não agrediu ninguém.
E disse também que um soco dele, Bolsonaro, teria potencial impacto para fazer, bem ali onde um ex-deputado foi torturado e assassinado pelo Exército, um senador da República “desmontar”, para botá-lo “para dormir três dias no chão”.


