Tayayá tibum
Passa pela saída de Toffoli do caso Master tanto a defesa do STF contra a extrema direita quanto defesa do Brasil contra o discurso lavajatrosco de “resetar a República" às vésperas das eleições.
Ao longo dos últimos meses, a atuação, digamos, heterodoxa de Dias Toffoli à frente do caso Master no STF tem sido motivo de grande, enorme alvoroço na mídia corporativa. Em reação, setores do campo progressista vêm denunciando uma suposta orquestração da mídia para, mirando Toffoli, tirar o foco do escândalo Master em si, ou seja, do que o caso revela sobre a podridão que grassa no “mercado” e as ramificações da matéria putrefata nos meios político, midiático, no Banco Central “independente”, etc.
De quebra, dizem esses setores, criticar ou mesmo mencionar Toffoli “neste momento”, mesmo de boa-fé republicana, significa embarcar numa conspiração contra o ministro que acaba de autorizar uma devassa na 13ª de Curitiba e corresponderia mesmo a um reavivamento do espírito lavajatista visando enfraquecer o governo Lula e o STF como um todo, ou seja, tudo o que a extrema-direita quer em ano eleitoral.
Por outro lado, ao longo dos últimos anos, esses mesmos setores do campo progressista vêm saudando — e fazem muito bem — a guinada da Polícia Federal ao profissionalismo, correção e serenidade sob a direção de Andrei Passos Rodrigues, após os anos de perseguições e espalhafatos políticos da conspiração Lava Jato e barafundas sem fim causadas na PF por Jair Bolsonaro.
Muito bem.
Nesta quarta-feira, 11, a PF entregou à presidência do STF um relatório contendo conversas de Dias Toffoli com Daniel Vorcaro e menções a Toffoli em conversas de Vorcaro com terceiros, tudo extraído do celular do dono do Banco Master. Do teor das conversas adiantado pela imprensa corporativa, sabe-se de tratativas de movimentações financeiras envolvendo uma empresa da qual Toffoli era sócio oculto e fundos de investimento ora alvos de investigação — a investigação que está sob as rédeas do próprio ministro na última instância do Judiciário brasileiro.
No relatório entregue por Andrei Rodrigues a Edson Fachin, a PF fez constar um artigo da Lei Orgânica da Magistratura que trata de indícios de crimes cometidos por juízes e a parte do regimento interno do STF que trata de declaração de suspeição de um integrante da egrégia corte. Toffoli reagiu à moda Sóstenes Cavalcante, dizendo que contra ele há apenas “ilações” e que a PF não tem competência para pedir sua suspeição, coisa que, aliás, a PF não fez.
Passaram-se dois meses desde que havia contra Toffoli, no caso Master, “apenas” uma viagem ao Peru, para assistir ao Palmeiras na final da Libertadores, na companhia do advogado de um diretor do Master preso pela PF, isso no mesmo dia em que o ministro assumiu a relatoria do caso.
No último 28 de janeiro, o professor Conrado Hübner escreveu na Folha de S.Paulo sobre o ministro do STF e do resort Tayayá, no Paraná; sobre o ministro que “desponta como o maior inimigo interno do tribunal hoje” e que “precisa ser investigado”:
“Está em curso um movimento de salvação do ministro. Buscam vender o gesto como salvação do tribunal, até como salvação da democracia. A operação, contudo, em vez de proteger, ajuda a fazer o contrário.”
“Edson Fachin afirmou que ‘a tentativa de desmoralizar a corte é um ataque à democracia’. O constitucionalismo, porém, ensina outra coisa: a leniência com a corrupção funcional, essa, sim, ataca a democracia.”
“Continuar a guardar as costas de Toffoli no seio do escândalo bancário mais grave de que temos notícia traz riscos superlativos ao STF. A promiscuidade enfraquece o tribunal e um STF fraco interessa ao extremismo político. É projeto bolsonarista.”
Dois meses depois do voo de grão-palmeirenses para Lima, e agora depois do Tayayá, já deu tempo de perceber que, “neste momento”, depende do afastamento de Dias Toffoli do caso Master — no mínimo isso — tanto a defesa do STF contra os ataques da extrema direita quanto o avanço das investigações da PF que podem revelar, por exemplo, a quem e para que serve o Banco Central “independente”, passando pela defesa do Brasil contra o discurso lavajatrosco da mídia, que já ganha corpo, de “resetar a República” às vésperas de eleições gerais.
Do contrário, Tayayá tibum.




Isso é muito grave. O Supremo tem que tomar as rédeas
Junto ao Ministério da Justiça. justiça.