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Nesta semana, no Come Ananás:
Na segunda, em “Donald, Ratón Miguelito e o nome do Pateta na Dinamarca”, lembramos que em setembro do ano passado, quando o Comando Sul dos EUA começou a explodir barcos, a matar pessoas no mar do Caribe, patetas da mídia brasileira garantiam ser “irrealista” falar em ataque estadunidense ao território da Venezuela. São os mesmos que em agosto tinham chamado de “ocupação” o sequestro do plenário da Câmara por deputados bolsonaristas e que agora chamam de “captura” o sequestro de Nicolás Maduro pelos EUA.
São os mesmos que agora, após o sequestro de Maduro e do petróleo venezuelano, tratam as ameaças de Donald Trump a Cuba, México e Colômbia como se fossem apenas mais um fait diver produzido ali entre a Groenlândia e the motherfucker Maine.
Ainda na segunda, ainda a propósito do ataque de Trump à República Bolivariana, publicamos “Nascida em 5 de julho”, onde reproduzimos o discurso curtinho e grosso feito por Simón Bolívar na Sociedade Patriótica de Caracas no dia 4 de julho de 1811, exatos 35 anos após a independência das Treze Colônias Britânicas na América do Norte e na véspera da declaração de independência e constituição da Confederação Americana da Venezuela, em 5 de julho daquele ano.
“Vacilar é perder-nos”, alertou Bolívar naquele dia, mais de dois séculos atrás, sobre a liberdade sul-americana.
Na terça-feira, em “Imperialismo, estágio ‘cafona’ do capitalismo”, mostramos que nada é mais ilustrativo do cancelamento pela mídia corporativa justamente das palavras, termos e expressões que melhor dão conta da Grande Marcha Para Trás em que o Brasil e o mundo se meteram; nada é mais ilustrativo da recusa da mídia em chamar as coisas pelos nomes que elas têm do que o vídeo de Mariliz Pereira Jorge dizendo num podcast, e Malu Gaspar concordando, que “ah, gente, não sei vocês, mas eu acho tão cafona essa coisa de imperialismo. Nossa, eu acho muito cafona a coisa do imperialismo”.
Na quarta, em “Que GPS é esse?”, chamamos a atenção para uma informação que foi publicada no Réveillon e acabou passando batida: segundo apuração da jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil, o general Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, condenado a 19 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado (e sugestivamente conhecido na “família militar” como GPS) será encarregado pelo Exército Brasileiro da “revisão doutrinária” da Força Terrestre, sugerindo “atualização” de livros e manuais castrenses.
E o trabalho do golpista condenado como “consultor” do Exército ainda será usado para remição da pena por atentar contra a democracia…
Na quinta-feira, em “Os aniversários do 8/1 e o ‘niver’ do cunhado”, publicamos um “placar” que deveria estar nas capas dos jornalões e dos portais noticiosos neste fim de semana, em vez dos primeiros resultados do Paulistinha, mas não está, não: após três eventos principais de harmonia entre os Poderes em defesa da democracia e para não esquecer os ataques do 8/1 à Praça dos Três Poderes — em 8 de janeiro de 2024, 2025 e 2026 —, o presidente da República participou de todos eles, os presidentes do STF e do Congresso Nacional só apareceram no primeiro e o presidente da Câmara dos Deputados nunca deu as caras.
A epígrafe do pouco-caso é a justificativa dada por Rodrigo Pacheco por ter faltado ao evento de aniversário de dois anos do 8/1, em janeiro do ano passado. À época presidente do Senado e do Congresso, Pacheco justificou-se como quem tinha esquecido o “niver” do cunhado: “gostaria muito de participar, mas estou em viagem ao exterior, que havia programado antes”.
Por fim, neste sábado, em “Ainda sobre ‘ah, gente, eu acho tão cafona essa coisa de imperialismo’”, mostramos que foi a imprensa estrangeira, em matéria intitulada “imperialismo descarado”, que lembrou: mais de 60 anos antes de Trump posicionar uma força-tarefa naval no Caribe para intervir na Venezuela, “uma força-tarefa naval dos EUA foi posicionada na costa do Brasil para intervir caso houvesse resistência ao golpe militar que depôs o presidente de esquerda democraticamente eleito, João Goulart, em 1964”.
Enquanto isso, no Brasil, a agressão imperialista dos EUA à Venezuela só aparece como “agressão imperialista” dos EUA à Venezuela (assim, entre aspas) e Pablo Ortellado publica artigo no Globo no qual a palavra imperialismo, sozinha, não aparece nem uma vez, mas as expressões discurso anti-imperialismo, retórica anti-imperialista e retórica anti-imperialista bolivariana, quase 10.
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